<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824</id><updated>2011-04-21T12:08:56.527-07:00</updated><title type='text'>Ilha de Sal</title><subtitle type='html'>Não se define uma ilha de sal. Todas as que existiram já foram dissolvidas no oceano. Assim são os blogs.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-3177716006718617263</id><published>2008-12-11T17:44:00.001-08:00</published><updated>2008-12-11T17:46:56.739-08:00</updated><title type='text'>Retoques</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Teatrinho. Poesiazinha. Você fazia teatrinho e poesiazinha. Você era mestre em emoções diminutivas. Aquilo nem era pra mim, era para alguém que você queria que eu fosse, eu acho que fui rato de laboratório durante um tempo. Reencarnei homem e fui contratado para animar o seu laboratório. Pieguices não vêm de afetos, mas da falta deles, eu disse uma vez, quase sem querer. Não pense que eu gostei de ter dito isso pra você. Mas você rebateu com uma ponta de mágoa, disfarçada no tom solene e doutoral de sempre (você é tão européia, isso cai em você como roupa de griffe), que não são pieguices, são carinhos meio adormecidos, eu tenho que exercitar isso. Vocè não sabe nada de mim, você não sabe o que é sofrimento, não tem idéia, você é de outro meio. Ah, bom, eu tinha me esquecido de que o sofrimento era uma invenção sua. Dentre tantas coisas inéditas que você me trouxe, a mais incomum é essa, eu disse já impaciente, aguardando o próximo round. O das teorias, que era a sua parte preferida na contenda. Sim, era contenda. Delicadíssimos na cama e animais fora dela, eu e você. Devia ser bem o contrário, e no início até que era. E as teorias eram sempre sobre mim, você lembra? Sobre você só havia o sofrimento, você me vendeu a idéia de sobrevivente do holocausto. Um dia você, fênix pós-moderna, se levantou das cinzas e virou uma caricatura. Alguém precisa retocar você.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-3177716006718617263?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/3177716006718617263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=3177716006718617263' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/3177716006718617263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/3177716006718617263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/12/retoques.html' title='Retoques'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-3802531449391469072</id><published>2008-12-10T08:41:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T09:26:32.294-08:00</updated><title type='text'>Somos livros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os Titãs, já na sua fase de estertor poético-musical, gravaram uma canção que fala sobre como deveríamos ter agido no passado. Assim, seríamos premiados, no presente, com a paz ou menos arrependimento. De tal sorte que, se tivéssemos amado mais, apreciado mais crepúsculos e, quem sabe, estrelas, enfim, se tivéssemos levado uma vida mais poética e menos prosaica, tudo estaria diferente hoje. Melhor, talvez. Longe de querer desenvolver qualquer esboço de crítica a essa letra, da qual, evidentemente, não gosto. O que quero é tomar esse mote recorrente, que poderia ser resumido numa fórmula simples: "O que eu devia ter feito e não fiz?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que o que não fiz, em larga escala, foi tentar compreender as razões do outro. Que as nossas próprias, a gente sempre sabe. Compreender as razões não serve, evidentemente, para justificá-las ou perdoar quem quer que seja. Não se trata de certo/errado, bom/mau ou qualquer outro indicador na tabela de maniqueísmos. Mas nos dá, ao menos, a justa medida da origem dos conflitos e dos desamores subsequentes. Algumas pessoas são transparentes: a gente enxerga, sem muito esforço, o motor de suas ações. Não são melhores nem piores por isso, mas é mais fácil lidar com elas. É como se pensassem em voz alta o tempo todo. Outras agem segundo motivações que tentam ocultar - ou justificar - pelo discurso, que pode ser próprio ou emprestado. Sempre tive preguiça de tentar desvendar esse discurso, talvez porque o não-dito parecesse mais eloquente. Hoje consigo enxergar, ainda que de forma tênue, a lacuna que isso proporcionou nas minhas relações com algumas pessoas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos feitos de linhas, entrelinhas, verbo em suma, tanto ou mais do que de ações, sentimentos e instintos. Somos livros, bem ou mal escritos. Alguns, com subtextos reais ou falsos, tentando aclarar ou escamotear o enredo, conforme o caso. Passamos o tempo inteiro escrevendo nossa autobiografia para que o outro a leia em tempo real. As transparências, tenho visto, são muito poucas. O mais das vezes é metáfora, elipse, muita obscuridade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aprender a ler o outro. Esforço titânico. Mas vale a pena.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-3802531449391469072?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/3802531449391469072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=3802531449391469072' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/3802531449391469072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/3802531449391469072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/12/somos-livros.html' title='Somos livros'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-2941121066460561828</id><published>2008-11-10T19:27:00.000-08:00</published><updated>2008-11-10T19:28:23.176-08:00</updated><title type='text'>Hai-Kai Balão</title><content type='html'>Pra que fazer poesia&lt;br /&gt;Se é bem mais fácil ficar&lt;br /&gt;No copia/cola, cola/copia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-2941121066460561828?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/2941121066460561828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=2941121066460561828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/2941121066460561828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/2941121066460561828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/11/hai-kai-balo.html' title='Hai-Kai Balão'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-3223930084405269836</id><published>2008-06-12T07:54:00.000-07:00</published><updated>2008-06-12T07:58:23.773-07:00</updated><title type='text'>Sol</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Andando por aí, feliz, descalço, encontrando gente e coisas de cuja existência você sequer suspeita. Agindo, fazendo coisas, vivendo de verdade. Enquanto isso, seu existencialismo de botequim conquista adeptos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-3223930084405269836?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/3223930084405269836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=3223930084405269836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/3223930084405269836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/3223930084405269836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/06/andando-por.html' title='Sol'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-7393492464760931417</id><published>2008-05-18T12:51:00.000-07:00</published><updated>2008-05-18T19:36:49.915-07:00</updated><title type='text'>Exercícios de ilógica total - um roteiro para Indiana Chomsky</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SDCQD9wZYqI/AAAAAAAAAEI/MRTqSiLK8UU/s1600-h/magritte_lg.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201815967404483234" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SDCQD9wZYqI/AAAAAAAAAEI/MRTqSiLK8UU/s320/magritte_lg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conjugar o verbo &lt;em&gt;conjugar&lt;/em&gt;, indicativamente, sem subjuntividades imperativas, tampouco infinitivas, suprimindo todas as desinências radicais. Fazer a crítica da cyber-metalinguagem passada e contemporânea, sem se utilizar de palavras ou quaisquer sinais gráficos e/ou sonoros. Discorrer livre e diretamente sobre o discurso indireto livre, exemplificando de forma oculta. Justificar a onisciência do narrador, à luz de alguma teologia. Acusar, nas frases acima, todas as subjetividades impositivas. Objetivamente, conjugar-se. Flexionar-se a si próprio, em todas as formas possíveis, ser todas as &lt;em&gt;personas&lt;/em&gt; verbais do verso de alguma divindade - a escolher - excetuando-se aquelas sobre as quais nada se saiba de concreto. Conjugar os versos abaixo, apontar a forma ideal de fundir seus hemistíquios, caso se mostrem irremediavelmente alexandrinos, e eliminar cesuras de quaisquer espécies, como num sonho. Em relação ao sonho, cair em sono profundo e guerrear contra todos os truísmos redundantes e oníricos que encontrar no já referido. Subjugar a sintaxe do inimigo, deixá-lo à míngua de objetos de análise e sujeitá-lo aos mais diversos e abomináveis predicados. Viver a morte, relatando todos os passos. Morrer a vida, fazendo o caminho inverso. Voltar de costas, apagando todos os vestígios e todas as palavras utilizadas anteriormente. Parar. Olhar em volta. Acordar, contar as vogais de "Os Lusíadas" e extrair a raiz quadrada do resultado. Guardar esse número em segredo até o Juízo Final. Vale um ingresso para o circo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-7393492464760931417?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/7393492464760931417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=7393492464760931417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/7393492464760931417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/7393492464760931417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/05/exerccios.html' title='Exercícios de ilógica total - um roteiro para Indiana Chomsky'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SDCQD9wZYqI/AAAAAAAAAEI/MRTqSiLK8UU/s72-c/magritte_lg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-4498960480846421258</id><published>2008-05-11T10:24:00.001-07:00</published><updated>2008-05-12T22:30:20.030-07:00</updated><title type='text'>Mães</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Dia das Mães é uma data singela e pura, criada por abnegados membros de associações de lojistas, no intuito de celebrar essa mártir que nos deu a vida e - por que não? - faturar uns trocados, que ninguém é de ferro. Nessa data querida sempre me lembro de Frank Zappa e suas Mothers Of Invention. Lá pelas tantas, Francis Vincent vocifera: &lt;em&gt;My guitar wants to kill your mamma!&lt;/em&gt; Impropério inversamente proporcional à realidade: "seo" Francesco Zappa era um cara da paz e na certa teve uma boa mãe, já que parecia invariavelmente de bem com a vida. Era tão palhaço que certa vez lançou-se como pré-pré-candidato à presidência dos Estados Unidos (depois descobriu que não era empreitada para palhaços quaisquer). Por amor à boa velhinha desistiu a tempo. Difícil também, nessa data imaculada, não pensar naquela que teria gerado parte considerável do mal-estar existencial que atravessou o século XX e ainda dura: a mãe do Freud. Mãe de todas as culpas, de todos os complexos e de todas as elucubrações - adoro essa palavra - psico-qualquer-coisa. Sem a menor sombra de hesitação, podemos afirmar que dona Amalie Nathanson foi uma mulher extraordinária, não se duvide disso. Marcou tanto o pequeno Sigmund, que ele parece estar dizendo naquele retrato imortalizado em consultórios de analistas espalhados pelo mundo inteiro: "Mãe, veja que filho porreta você pôs no mundo!" Maior que essa, só Ci, a mãe do mato, mãe de todas as coisas macunaímicas que um dia viraram essa mistura de delícia e caos que é o Brasil. Ci é uma colcha cujos retalhos poderiam ser todas as mães: quem sabe nela não se encontra uma mãe socialista como aquela do Gorki ou uma mãe desesperada como as impropriamente chamadas "locas de la Plaza de Mayo", só porque sonharam um dia em ser avós; ou ainda a supermãe do Ziraldo, a mãe do juiz de futebol, a mãe polanskiana que empurra um carrinho com um bebê demoníaco dentro; ou a minha, a sua, a dele, a dela, a nossa, a vossa? E quem sabe ainda a mãe do Mário de Andrade, que nos contou com tanta beleza a história de Ci e de Macunaíma? Vamos combinar o seguinte: esquecemos os lojistas insensíveis, damos um beijo em nossas mães hoje - ao menos hoje - e deixamos de filosofia besta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-4498960480846421258?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/4498960480846421258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=4498960480846421258' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/4498960480846421258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/4498960480846421258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/05/mes.html' title='Mães'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-718669510707676400</id><published>2008-05-08T21:54:00.000-07:00</published><updated>2008-05-08T22:56:10.576-07:00</updated><title type='text'>Os cravos de abril</title><content type='html'>Eis Ary dos Santos e seu discurso/poema emocionado, a lembrar os cravos que enfeitavam fuzis naquele quase distante 25 de abril:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As portas que abril abriu - José Carlos Ary dos Santos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um país&lt;br /&gt;onde entre o mar e a guerra&lt;br /&gt;vivia o mais infeliz&lt;br /&gt;dos povos à beira-terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde entre vinhas sobredos&lt;br /&gt;vales socalcos searas&lt;br /&gt;serras atalhos veredas&lt;br /&gt;lezírias e praias claras&lt;br /&gt;um povo se debruçava&lt;br /&gt;como um vime de tristeza&lt;br /&gt;sobre um rio onde mirava&lt;br /&gt;a sua própria pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um país&lt;br /&gt;onde o pão era contado&lt;br /&gt;onde quem tinha a raiz&lt;br /&gt;tinha o fruto arrecadado&lt;br /&gt;onde quem tinha o dinheiro&lt;br /&gt;tinha o operário algemado&lt;br /&gt;onde suava o ceifeiro&lt;br /&gt;que dormia com o gado&lt;br /&gt;onde tossia o mineiro&lt;br /&gt;em Aljustrel ajustado&lt;br /&gt;onde morria primeiro&lt;br /&gt;quem nascia desgraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um país&lt;br /&gt;de tal maneira explorado&lt;br /&gt;pelos consórcios fabris&lt;br /&gt;pelo mando acumulado&lt;br /&gt;pelas ideias nazis&lt;br /&gt;pelo dinheiro estragado&lt;br /&gt;pelo dobrar da cerviz&lt;br /&gt;pelo trabalho amarrado&lt;br /&gt;que até hoje já se diz&lt;br /&gt;que nos tempos do passado&lt;br /&gt;se chamava esse país&lt;br /&gt;Portugal suicidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali nas vinhas sobredos&lt;br /&gt;vales socalcos searas&lt;br /&gt;serras atalhos veredas&lt;br /&gt;lezírias e praias claras&lt;br /&gt;vivia um povo tão pobre&lt;br /&gt;que partia para a guerra&lt;br /&gt;para encher quem estava podre&lt;br /&gt;de comer a sua terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um povo que era levado&lt;br /&gt;para Angola nos porões&lt;br /&gt;um povo que era tratado&lt;br /&gt;como a arma dos patrões&lt;br /&gt;um povo que era obrigado&lt;br /&gt;a matar por suas mãos&lt;br /&gt;sem saber que um bom soldado&lt;br /&gt;nunca fere os seus irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora passou-se porém&lt;br /&gt;que dentro de um povo escravo&lt;br /&gt;alguém que lhe queria bem&lt;br /&gt;um dia plantou um cravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a semente da esperança&lt;br /&gt;feita de força e vontade&lt;br /&gt;era ainda uma criança&lt;br /&gt;mas já era a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era já uma promessa&lt;br /&gt;era a força da razão&lt;br /&gt;do coração à cabeça&lt;br /&gt;da cabeça ao coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem o fez era soldado&lt;br /&gt;homem novo capitão&lt;br /&gt;mas também tinha a seu lado&lt;br /&gt;muitos homens na prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses que tinham lutado&lt;br /&gt;a defender um irmão&lt;br /&gt;esses que tinham passado&lt;br /&gt;o horror da solidão&lt;br /&gt;esses que tinham jurado&lt;br /&gt;sobre uma côdea de pão&lt;br /&gt;ver o povo libertado&lt;br /&gt;do terror da opressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinham armas é certo&lt;br /&gt;mas tinham toda a razão&lt;br /&gt;quando um homem morre perto&lt;br /&gt;tem de haver distanciação&lt;br /&gt;uma pistola guardada&lt;br /&gt;nas dobras da sua opção&lt;br /&gt;uma bala disparada&lt;br /&gt;contra a sua própria mão&lt;br /&gt;e uma força perseguida&lt;br /&gt;que na escolha do mais forte&lt;br /&gt;faz com que a força da vida&lt;br /&gt;seja maior do que a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem o fez era soldado&lt;br /&gt;homem novo capitão&lt;br /&gt;mas também tinha a seu lado&lt;br /&gt;muitos homens na prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posta a semente do cravo&lt;br /&gt;começou a floração&lt;br /&gt;do capitão ao soldado&lt;br /&gt;do soldado ao capitão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que o povo armado&lt;br /&gt;percebeu qual a razão&lt;br /&gt;porque o povo despojado&lt;br /&gt;lhe punha as armas na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois também ele humilhado&lt;br /&gt;em sua própria grandeza&lt;br /&gt;era soldado forçado&lt;br /&gt;contra a pátria portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era preso e exilado&lt;br /&gt;e no seu próprio país&lt;br /&gt;muitas vezes estrangulado&lt;br /&gt;pelos generais senis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capitão que não comanda&lt;br /&gt;não pode ficar calado&lt;br /&gt;é o povo que lhe manda&lt;br /&gt;ser capitão revoltado&lt;br /&gt;é o povo que lhe diz&lt;br /&gt;que não ceda e não hesite –&lt;br /&gt;pode nascer um país&lt;br /&gt;do ventre duma chaimite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a força bem empregue&lt;br /&gt;contra a posição contrária&lt;br /&gt;nunca oprime nem persegue –&lt;br /&gt;é força revolucionária!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que Abril abriu&lt;br /&gt;as portas da claridade&lt;br /&gt;e a nossa gente invadiu&lt;br /&gt;a sua própria cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse a primeira palavra&lt;br /&gt;na madrugada serena&lt;br /&gt;um poeta que cantava&lt;br /&gt;o povo é quem mais ordena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então por vinhas sobredos&lt;br /&gt;vales socalcos searas&lt;br /&gt;serras atalhos veredas&lt;br /&gt;lezírias e praias claras&lt;br /&gt;desceram homens sem medo&lt;br /&gt;marujos soldados «páras»&lt;br /&gt;que não queriam o degredo&lt;br /&gt;dum povo que se separa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chegaram à cidade&lt;br /&gt;onde os monstros se acoitavam&lt;br /&gt;era a hora da verdade&lt;br /&gt;para as hienas que mandavam&lt;br /&gt;a hora da claridade&lt;br /&gt;para os sóis que despontavam&lt;br /&gt;e a hora da vontade&lt;br /&gt;para os homens que lutavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em idas vindas esperas&lt;br /&gt;encontros esquinas e praças&lt;br /&gt;não se pouparam as feras&lt;br /&gt;arrancaram-se as mordaças&lt;br /&gt;e o povo saiu à rua&lt;br /&gt;com sete pedras na mão&lt;br /&gt;e uma pedra de lua&lt;br /&gt;no lugar do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia soldado amigo&lt;br /&gt;meu camarada e irmão&lt;br /&gt;este povo está contigo&lt;br /&gt;nascemos do mesmo chão&lt;br /&gt;trazemos a mesma chama&lt;br /&gt;temos a mesma ração&lt;br /&gt;dormimos na mesma cama&lt;br /&gt;comendo do mesmo pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camarada e meu amigo&lt;br /&gt;soldadinho ou capitão&lt;br /&gt;este povo está contigo&lt;br /&gt;a malta dá-te razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esta força sem tiros&lt;br /&gt;de antes quebrar que torcer&lt;br /&gt;esta ausência de suspiros&lt;br /&gt;esta fúria de viver&lt;br /&gt;este mar de vozes livres&lt;br /&gt;sempre a crescer a crescer&lt;br /&gt;que das espingardas fez livros&lt;br /&gt;para aprendermos a ler&lt;br /&gt;que dos canhões fez enxadas&lt;br /&gt;para lavrarmos a terra&lt;br /&gt;e das balas disparadas&lt;br /&gt;apenas o fim da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esta força viril&lt;br /&gt;de antes quebrar que torcer&lt;br /&gt;que em vinte e cinco de Abril&lt;br /&gt;fez Portugal renascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em Lisboa capital&lt;br /&gt;dos novos mestres de Aviz&lt;br /&gt;o povo de Portugal&lt;br /&gt;deu o poder a quem quis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que tenha passado&lt;br /&gt;às vezes por mãos estranhas&lt;br /&gt;o poder que ali foi dado&lt;br /&gt;saiu das nossas entranhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu das vinhas sobredos&lt;br /&gt;vales socalcos searas&lt;br /&gt;serras atalhos veredas&lt;br /&gt;lezírias e praias claras&lt;br /&gt;onde um povo se curvava&lt;br /&gt;como um vime de tristeza&lt;br /&gt;sobre um rio onde mirava&lt;br /&gt;a sua própria pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se esse poder um dia&lt;br /&gt;o quiser roubar alguém&lt;br /&gt;não fica na burguesia&lt;br /&gt;volta à barriga da mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta à barriga da terra&lt;br /&gt;que em boa hora o pariu&lt;br /&gt;agora ninguém mais cerra&lt;br /&gt;as portas que Abril abriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas portas que em Caxias&lt;br /&gt;se escancararam de vez&lt;br /&gt;essas janelas vazias&lt;br /&gt;que se encheram outra vez&lt;br /&gt;e essas celas tão frias&lt;br /&gt;tão cheias de sordidez&lt;br /&gt;que espreitavam como espias&lt;br /&gt;todo o povo português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que já floriu&lt;br /&gt;a esperança na nossa terra&lt;br /&gt;as portas que Abril abriu&lt;br /&gt;nunca mais ninguém as cerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra tudo o que era velho&lt;br /&gt;levantado como um punho&lt;br /&gt;em Maio surgiu vermelho&lt;br /&gt;o cravo do mês de Junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o povo desfilou&lt;br /&gt;nas ruas em procissão&lt;br /&gt;de novo se processou&lt;br /&gt;a própria revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eram olhos as balas&lt;br /&gt;abraços punhais e lanças&lt;br /&gt;enamoradas as alas&lt;br /&gt;dos soldados e crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o grito que foi ouvido&lt;br /&gt;tantas vezes repetido&lt;br /&gt;dizia que o povo unido&lt;br /&gt;jamais seria vencido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra tudo o que era velho&lt;br /&gt;levantado como um punho&lt;br /&gt;em Maio surgiu vermelho&lt;br /&gt;o cravo do mês de Junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então operários mineiros&lt;br /&gt;pescadores e ganhões&lt;br /&gt;marçanos e carpinteiros&lt;br /&gt;empregados dos balcões&lt;br /&gt;mulheres a dias pedreiros&lt;br /&gt;reformados sem pensões&lt;br /&gt;dactilógrafos carteiros&lt;br /&gt;e outras muitas profissões&lt;br /&gt;souberam que o seu dinheiro&lt;br /&gt;era presa dos patrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seu lado também estavam&lt;br /&gt;jornalistas que escreviam&lt;br /&gt;actores que se desdobravam&lt;br /&gt;cientistas que aprendiam&lt;br /&gt;poetas que estrebuchavam&lt;br /&gt;cantores que não se vendiam&lt;br /&gt;mas enquanto estes lutavam&lt;br /&gt;é certo que não sentiam&lt;br /&gt;a fome com que apertavam&lt;br /&gt;os cintos dos que os ouviam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém cantar é ternura&lt;br /&gt;escrever constrói liberdade&lt;br /&gt;e não há coisa mais pura&lt;br /&gt;do que dizer a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uns e outros irmanados&lt;br /&gt;na mesma luta de ideais&lt;br /&gt;ambos sectores explorados&lt;br /&gt;ficaram partes iguais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entanto não descansavam&lt;br /&gt;entre pragas e perjúrios&lt;br /&gt;agulhas que se espetavam&lt;br /&gt;silêncios boatos murmúrios&lt;br /&gt;risinhos que se calavam&lt;br /&gt;palácios contra tugúrios&lt;br /&gt;fortunas que levantavam&lt;br /&gt;promessas de maus augúrios&lt;br /&gt;os que em vida se enterravam&lt;br /&gt;por serem falsos e espúrios&lt;br /&gt;maiorais da minoria&lt;br /&gt;que diziam silenciosa&lt;br /&gt;e que em silêncio fazia&lt;br /&gt;a coisa mais horrorosa:&lt;br /&gt;minar como um sinapismo&lt;br /&gt;e com ordenados régios&lt;br /&gt;o alvor do socialismo&lt;br /&gt;e o fim dos privilégios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então se bem vos lembro&lt;br /&gt;que sucedeu a vindima&lt;br /&gt;quando pisámos Setembro&lt;br /&gt;a verdade veio acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi um mosto tão forte&lt;br /&gt;que sabia tanto a Abril&lt;br /&gt;que nem o medo da morte&lt;br /&gt;nos fez voltar ao redil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali ficámos de pé&lt;br /&gt;juntos soldados e povo&lt;br /&gt;para mostrarmos como é&lt;br /&gt;que se faz um país novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali dissemos não passa!&lt;br /&gt;E a reacção não passou.&lt;br /&gt;Quem já viveu a desgraça&lt;br /&gt;odeia a quem desgraçou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a força do Outono&lt;br /&gt;mais forte que a Primavera&lt;br /&gt;que trouxe os homens sem dono&lt;br /&gt;de que o povo estava à espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a força dos mineiros&lt;br /&gt;pescadores e ganhões&lt;br /&gt;operários e carpinteiros&lt;br /&gt;empregados dos balcões&lt;br /&gt;mulheres a dias pedreiros&lt;br /&gt;reformados sem pensões&lt;br /&gt;dactilógrafos carteiros&lt;br /&gt;e outras muitas profissões&lt;br /&gt;que deu o poder cimeiro&lt;br /&gt;a quem não queria patrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde esse dia em que todos&lt;br /&gt;nós repartimos o pão&lt;br /&gt;é que acabaram os bodos —&lt;br /&gt;cumpriu-se a revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém em quintas vivendas&lt;br /&gt;palácios e palacetes&lt;br /&gt;os generais com prebendas&lt;br /&gt;caciques e cacetetes&lt;br /&gt;os que montavam cavalos&lt;br /&gt;para caçarem veados&lt;br /&gt;os que davam dois estalos&lt;br /&gt;na cara dos empregados&lt;br /&gt;os que tinham bons amigos&lt;br /&gt;no consórcio dos sabões&lt;br /&gt;e coçavam os umbigos&lt;br /&gt;como quem coça os galões&lt;br /&gt;os generais subalternos&lt;br /&gt;que aceitavam os patrões&lt;br /&gt;os generais inimigos&lt;br /&gt;os generais garanhões&lt;br /&gt;teciam teias de aranha&lt;br /&gt;e eram mais camaleões&lt;br /&gt;que a lombriga que se amanha&lt;br /&gt;com os próprios cagalhões.&lt;br /&gt;Com generais desta apanha&lt;br /&gt;já não há revoluções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso o onze de Março&lt;br /&gt;foi um baile de Tartufos&lt;br /&gt;uma alternância de terços&lt;br /&gt;entre ricaços e bufos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tivemos de pagar&lt;br /&gt;com o sangue de um soldado&lt;br /&gt;o preço de já não estar&lt;br /&gt;Portugal suicidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fugiram como cobardes&lt;br /&gt;e para terras de Espanha&lt;br /&gt;os que faziam alardes&lt;br /&gt;dos combates em campanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui ficaram de pé&lt;br /&gt;capitães de pedra e cal&lt;br /&gt;os homens que na Guiné&lt;br /&gt;aprenderam Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tais homens que sentiram&lt;br /&gt;que um animal racional&lt;br /&gt;opõe àqueles que o firam&lt;br /&gt;consciência nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tais homens que souberam&lt;br /&gt;fazer a revolução&lt;br /&gt;porque na guerra entenderam&lt;br /&gt;o que era a libertação.&lt;br /&gt;Os que viram claramente&lt;br /&gt;e com os cinco sentidos&lt;br /&gt;morrer tanta tanta gente&lt;br /&gt;que todos ficaram vivos.&lt;br /&gt;Os tais homens feitos de aço&lt;br /&gt;temperado com a tristeza&lt;br /&gt;que envolveram num abraço&lt;br /&gt;toda a história portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa história tão bonita&lt;br /&gt;e depois tão maltratada&lt;br /&gt;por quem herdou a desdita&lt;br /&gt;da história colonizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dai ao povo o que é do povo&lt;br /&gt;pois o mar não tem patrões.&lt;br /&gt;– Não havia estado novo&lt;br /&gt;nos poemas de Camões!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia sim a lonjura&lt;br /&gt;e uma vela desfraldada&lt;br /&gt;para levar a ternura&lt;br /&gt;à distância imaginada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi este lado da história&lt;br /&gt;que os capitães descobriram&lt;br /&gt;que ficará na memória&lt;br /&gt;das naus que de Abril partiram&lt;br /&gt;das naves que transportaram&lt;br /&gt;o nosso abraço profundo&lt;br /&gt;aos povos que agora deram&lt;br /&gt;novos países ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por saberem como é&lt;br /&gt;ficaram de pedra e cal&lt;br /&gt;capitães que na Guiné&lt;br /&gt;descobriram Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em sua pátria fizeram&lt;br /&gt;o que deviam fazer:&lt;br /&gt;ao seu povo devolveram&lt;br /&gt;o que o povo tinha a haver:&lt;br /&gt;Bancos seguros petróleos&lt;br /&gt;que ficarão a render&lt;br /&gt;ao invés dos monopólios&lt;br /&gt;para o trabalho crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guindastes portos navios&lt;br /&gt;e outras coisas para erguer&lt;br /&gt;antenas centrais e fios&lt;br /&gt;dum país que vai nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que seja com frio&lt;br /&gt;é preciso é aquecer&lt;br /&gt;pensar que somos um rio&lt;br /&gt;que vai dar onde quiser&lt;br /&gt;pensar que somos um mar&lt;br /&gt;que nunca mais tem fronteiras&lt;br /&gt;e havemos de navegar&lt;br /&gt;de muitíssimas maneiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Minho com pés de linho&lt;br /&gt;no Alentejo com pão&lt;br /&gt;no Ribatejo com vinho&lt;br /&gt;na Beira com requeijão&lt;br /&gt;e trocando agora as voltas&lt;br /&gt;ao vira da produção&lt;br /&gt;no Alentejo bolotas&lt;br /&gt;no Algarve maçapão&lt;br /&gt;vindimas no Alto Douro&lt;br /&gt;tomates em Azeitão&lt;br /&gt;azeite da cor do ouro&lt;br /&gt;que é verde ao pé do Fundão&lt;br /&gt;e fica amarelo puro&lt;br /&gt;nos campos do Baleizão.&lt;br /&gt;Quando a terra for do povo&lt;br /&gt;o povo deita-lhe a mão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isto a reforma agrária&lt;br /&gt;em sua própria expressão:&lt;br /&gt;a maneira mais primária&lt;br /&gt;de que nós temos um quinhão&lt;br /&gt;da semente proletária&lt;br /&gt;da nossa revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem a fez era soldado&lt;br /&gt;homem novo capitão&lt;br /&gt;mas também tinha a seu lado&lt;br /&gt;muitos homens na prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo o que Abril abriu&lt;br /&gt;ainda pouco se disse&lt;br /&gt;um menino que sorriu&lt;br /&gt;uma porta que se abrisse&lt;br /&gt;um fruto que se expandiu&lt;br /&gt;um pão que se repartisse&lt;br /&gt;um capitão que seguiu&lt;br /&gt;o que a história lhe predisse&lt;br /&gt;e entre vinhas sobredos&lt;br /&gt;vales socalcos searas&lt;br /&gt;serras atalhos veredas&lt;br /&gt;lezírias e praias claras&lt;br /&gt;um povo que levantava&lt;br /&gt;sobre um rio de pobreza&lt;br /&gt;a bandeira em que ondulava&lt;br /&gt;a sua própria grandeza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo o que Abril abriu&lt;br /&gt;ainda pouco se disse&lt;br /&gt;e só nos faltava agora&lt;br /&gt;que este Abril não se cumprisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só nos faltava que os cães&lt;br /&gt;viessem ferrar o dente&lt;br /&gt;na carne dos capitães&lt;br /&gt;que se arriscaram na frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na frente de todos nós&lt;br /&gt;povo soberano e total&lt;br /&gt;que ao mesmo tempo é a voz&lt;br /&gt;e o braço de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi banqueiros fascistas&lt;br /&gt;agiotas do lazer&lt;br /&gt;latifundiários machistas&lt;br /&gt;balofos verbos de encher&lt;br /&gt;e outras coisas em istas&lt;br /&gt;que não cabe dizer aqui&lt;br /&gt;que aos capitães progressistas&lt;br /&gt;o povo deu o poder!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se esse poder um dia&lt;br /&gt;o quiser roubar alguém&lt;br /&gt;não fica na burguesia&lt;br /&gt;volta à barriga da mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta à barriga da terra&lt;br /&gt;que em boa hora o pariu&lt;br /&gt;agora ninguém mais cerra&lt;br /&gt;as portas que Abril abriu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, Julho-Agosto de 1975&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-718669510707676400?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/718669510707676400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=718669510707676400' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/718669510707676400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/718669510707676400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/05/os-cravos-de-abril.html' title='Os cravos de abril'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-1712818082973121177</id><published>2008-05-06T17:42:00.000-07:00</published><updated>2008-05-08T23:13:39.238-07:00</updated><title type='text'>Leitura</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SCD7xmNqXjI/AAAAAAAAAEA/3N6bF2GKQS0/s1600-h/livro2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197430799475564082" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SCD7xmNqXjI/AAAAAAAAAEA/3N6bF2GKQS0/s320/livro2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Abro o livro de poesia -&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;exercito o tato e o gosto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já me aquece a manhã fria:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sabe doce o mês de agosto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-1712818082973121177?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/1712818082973121177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=1712818082973121177' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/1712818082973121177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/1712818082973121177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/05/leitura.html' title='Leitura'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SCD7xmNqXjI/AAAAAAAAAEA/3N6bF2GKQS0/s72-c/livro2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-2274650326670916600</id><published>2008-05-06T10:52:00.000-07:00</published><updated>2008-05-12T23:02:23.288-07:00</updated><title type='text'>Só louco</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SCDBy2NqXhI/AAAAAAAAADw/jLahB8E6VU8/s1600-h/jangada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197367049275989522" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SCDBy2NqXhI/AAAAAAAAADw/jLahB8E6VU8/s320/jangada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por que de amor para entender é preciso amar? Por quê? Caymmi-poeta perguntou e ninguém respondeu. Silêncio nos livros, silêncio nas academias; senhores de &lt;em&gt;pince-nez&lt;/em&gt; pigarrearam e fingiram não ter escutado bem a pergunta. Lá vão mais de 50 anos desde que ele jogou essas pétalas ao vento, pétalas a confundir os teóricos. De teoria ninguém ensinou nada pra ele, mas ele sabia que não precisava. Ele também sabia que amor era doação e não apenas estarrecimento diante do outro, disso ele entendia e não precisou ler nos livros. Ninguém respondeu ao poeta, mas ele tinha a resposta. Por isso amou como um louco e é capaz de amar ainda hoje. Por isso acabou de fazer 94 anos e tem uma pluma pousada no peito, à guisa de coração - um coração leve feito o suspiro da criança que é, pronto pra se misturar ao vento e com ele beijar o sol. Vamos chamar o vento e brindar com o poeta-menino, que acabou de soprar as noventa e quatro velas da sua vida-jangada, com fôlego de marinheiro novo. O mar convida o poeta, é Janaína quem sorri para ele. Quem vem pra beira do mar nunca mais quer voltar, nunca mais se deixa enganar por europeísmos caducos. Evoé, Caymmi. Só louco vai procurar respostas nos livros enquanto a vida encena esse espetáculo. É preciso aprender a só ser, como disse um outro baiano certo dia. Mas chega de teoria, que o mar não espera. Que sabe de amor quem não amou? Que sabe de amor quem não se deixou amar quando teve oportunidade? Um terceiro baiano poderia responder, sem recorrer a nenhum compêndio vetusto: atrás do amor só não vai quem já morreu. Da sacada de um sobrado o poeta contempla a jangada que acabou de sair pro mar. Há sol e vento. O mais são &lt;em&gt;in&lt;/em&gt;-significâncias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-2274650326670916600?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/2274650326670916600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=2274650326670916600' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/2274650326670916600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/2274650326670916600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/05/s-louco.html' title='Só louco'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SCDBy2NqXhI/AAAAAAAAADw/jLahB8E6VU8/s72-c/jangada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-5086887586309013889</id><published>2008-04-28T09:46:00.000-07:00</published><updated>2008-05-06T13:59:16.568-07:00</updated><title type='text'>Mortos que se levam a sério demais ou "A noiva-cadáver caipira"</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SCDGnWNqXiI/AAAAAAAAAD4/iIhH-vO0FY8/s1600-h/interroga%C3%A7%C3%A3o.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197372349265632802" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SCDGnWNqXiI/AAAAAAAAAD4/iIhH-vO0FY8/s320/interroga%C3%A7%C3%A3o.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há mediocridades várias nas relações humanas, dentre as quais uma bastante comum é tentar desqualificar um suposto interlocutor. O mundo gira em torno de certos umbigos, isso é notório. A leitura equivocada e míope de fatos e textos, para um sem-número de medíocres arrogantes - isso é quase um pleonasmo -, faz soar um alarme: "Estão falando de mim, preciso urgentemente desqualificar alguém". O que não sabe nada de si também não sabe nada do que acontece do lado de fora de sua porta, isso também é notório. Supõe, passa a vida supondo. Mesmo assim empunha sua espada enferrujada em busca de um triunfo efêmero contra um inimigo imaginário, que vive anos-luz distante do seu mundinho. A cegueira e a vaidade juntas produzem desastres em forma quase-humana. Estéreis e tristes, essas coisinhas mal-paridas querem impingir ao resto do mundo a dor de não gostarem de si próprias. Vivem tentando ver solidão e burrice em tudo, menos onde ela realmente está. R. I. P. pra essa gente, como se lê nas lápides inglesas. Seriam patologias, se não viessem de gente morta que insiste em parecer viva. A vida passou na janela e só a moça da canção não viu. Lá de dentro de sua tumba acredita piamente ser dela que o mundo anda falando. Mas acho que a moça da canção é quase feliz em sua burrice de além-túmulo. Tem família e amigos, ainda que essas categorias soem bastante teóricas em seu &lt;em&gt;curriculum mortae&lt;/em&gt;. Mas por que duvidar dela? Mortos não mentem, embora alguns se levem a sério demais e façam suposições demais ao lerem - e mal - textos alheios. Não têm cacife sequer para serem odiados. Quando muito - e já é uma concessão imensa - desprezados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-5086887586309013889?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/5086887586309013889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=5086887586309013889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/5086887586309013889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/5086887586309013889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/04/mortos-que-se-levam-srio.html' title='Mortos que se levam a sério demais ou &quot;A noiva-cadáver caipira&quot;'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/SCDGnWNqXiI/AAAAAAAAAD4/iIhH-vO0FY8/s72-c/interroga%C3%A7%C3%A3o.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-2364649728868726905</id><published>2008-04-25T13:47:00.000-07:00</published><updated>2008-04-25T15:22:32.543-07:00</updated><title type='text'>O senador e a blogueira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ah, os discursinhos sensíveis! Tenho visto tanto disso por aí que chega a dar náusea. Na tribuna do Senado, nas tribunas virtuais dos blogs, na praia, na rua por onde passo todos o dias para ir a lugar nenhum, enfim, onde quer que eu pouse olhos/ouvidos há o discursinho da sensibilidade-à-flor-da-pele-de-quem-já-não-aguenta-mais-essa-situação. Funcionariam as tais palavrinhas - sempre no estilo copia/cola/enfeita/floreia/edita/bota-fotinho-bacana (citando a fonte, porque essa gente é muito ética, antes de ser sensível) - se eu não conhecesse quem as pôs no mundo. A náusea e o amargor vêm daí, do meu conhecimento prévio da prática cotidiana desses mártires indignados. Do senador corajoso que baba ao apontar o mar de corrupção inédita no país à blogueira que denuncia a falta de amor no mundo e inicia uma jornada para dentro da pureza de si mesma, há de tudo. Vislumbrei maravilhas quando imaginei não conhecê-los, chorei com eles e por eles, fiz vigílias noite após noite no intuito de introjetar suas indignações e anseios pela melhoria do ser humano e das instituições corrompidas que este cria a torto e a direito. Depois, desiludido, pensei em hipocrisia, mas esta sozinha não explica certos comportamentos. O senador que vi mais uma vez ontem na TV é um hipócrita sim, mas tem um quê de patológico que eu também identifico em sua colega de caráter, a blogueira que, entre uma leitura e outra de complexidades psicanalíticas, tão bem reproduzidas no seu espaço zen-virtual, relaxa com novelas da Globo. O tal pai da pátria é figurinha carimbada da putaria que se tornou símbolo de uma era não muito distante. Seu partido, hoje com outro nome, sustentou o neonazismo que matou e torturou brasileiros por duas décadas. A mocinha do exemplo existe e já montou tribuna ao lado do meu ouvido algumas dezenas de vezes, tentando me provar que a prática e o discurso não precisam coincidir - eis uma coisa fora de cogitação em seu infinito particular. Ser filho-da-puta e trair é permitido, desde que haja "razões". De repente me sinto tomado pela incômoda idéia de haver parentescos insuspeitados grassando por aí. Gente cuja prática envergonha o discurso e vice-versa. Aí me vêm saudades dos poetas verdadeiros, que viveram como poetas mesmo, fizeram poesia e deitaram nela, dormiram com fome e não acordaram mais. Para essa corja de falsos poetas, o máximo da inteligência e do "alternativo" é algo como ler Bukowski e praticar algum culto oriental bacaninha. Merecem comer cada grama de merda que Mr. Buk colocou em suas páginas. Mas ele pelo menos era engraçado; já o senador e a blogueira me dão vontade de chorar de raiva. E vomitar. Olha o Bukowski de novo aí.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-2364649728868726905?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/2364649728868726905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=2364649728868726905' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/2364649728868726905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/2364649728868726905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/04/o-senador-e-blogueira.html' title='O senador e a blogueira'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-1087531840781237196</id><published>2008-03-03T09:52:00.000-08:00</published><updated>2008-03-03T12:53:43.204-08:00</updated><title type='text'>A Internet torna as pessoas inteligentes</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R8xOYo3G5SI/AAAAAAAAADo/dKv5swmEGVM/s1600-h/zebra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5173596257134241058" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R8xOYo3G5SI/AAAAAAAAADo/dKv5swmEGVM/s320/zebra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O título acima, se levado a sério, poderia me custar um processo judicial, quiçá uma interdição. Já se fez muito mais por muito menos. Mas a idéia que me seduz é exatamente a oposta, embora eu não queira ser parcial ou induzir a opinião de ninguém. Vamos fazer então um exercício de dialética. Dialética de boteco, que é uma subespécie da filosofia de boteco, esta por sua vez uma prima distante da psicanálise de boteco. (Sobre a psicanálise de boteco, by the way, recomendo o blog da &lt;em&gt;soi-disant&lt;/em&gt; escritora Helga Silveira, a Guiga).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feitas as apresentações e gracinhas, voltemos ao assunto. Steely Dan me enche os ouvidos com uma atmosfera &lt;em&gt;bluesy&lt;/em&gt; em Pretzel Logic, neste exato momento. O clima é favorável à lógica e à dialética, portanto. Elejamos nossa tese: &lt;em&gt;A Internet torna as pessoas inteligentes&lt;/em&gt;. Urge encontrarmos a antítese - algo que não é tão simples como parece, aliás. Não basta afirmar exatamente o contrário e achar que se está diante de uma antítese: "&lt;em&gt;A Internet torna as pessoas burras&lt;/em&gt;" não é o que queremos, embora saibamos de antemão que há um emburrecimento geral pairando no éter desde o advento da web. Da linguagem ao cardápio dos restaurantes, o que corta os ares há tempos é um quê de insuficiência cerebral. Mas as novelas da Globo, bem como sua programação de domingo também são suspeitas, podendo inclusive potencializar os supostos efeitos da rede, se administradas concomitantemente ao uso do computador, a máquina mortífera. Sim, estou sendo parcial. Perdoem. O júri deverá desconsiderar as últimas frases. Thank you, your honor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma candidata a antítese: &lt;em&gt;a Internet é um fator de alienação&lt;/em&gt;. Uma vez que a alienação, até onde se sabe, opõe-se ferozmente à inteligência, temos aí uma boa candidata a antítese de nossa tese. (Tá complicado? Não se avexe, vai piorar). Avançamos consideravelmente nos últimos dois minutos - ou duas horas, dependendo do tempo que você leva para ler. Começamos timidamente, despretensiosos, humildes e...voilà! Temos o orgulho de apresentar uma tese e sua antítese. O mais divertido disso tudo é que nem tentaremos descobrir se há verdade nelas. Vamos, isto sim, jogá-las no ventilador e extrair uma síntese que pareça convincente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tipo assim: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;a Internet criou um tipo particular de inteligência, reconhecível apenas pelos iniciados&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Serve pra você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser, e eu lamento, que tudo isso seja apenas delírio de quem já está até o pescoço enfiado na areia movediça da teia mundial de computadores. Pode ser também que toda a inteligência e conhecimento tenham migrado dos livros para a Wikipédia e o Google. Pode ser um porrilhão* de coisas. Pode ser que o melhor mesmo seja desligar o computador e abrir um livro. Ou namorar. Ou encher a cara de pinga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* 10 elevado a um número grande pra c... ou o inverso do pentelhésimo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-1087531840781237196?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/1087531840781237196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=1087531840781237196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/1087531840781237196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/1087531840781237196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/03/internet-torna-as-pessoas-inteligentes.html' title='A Internet torna as pessoas inteligentes'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R8xOYo3G5SI/AAAAAAAAADo/dKv5swmEGVM/s72-c/zebra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-7174010347620681436</id><published>2008-02-24T16:35:00.000-08:00</published><updated>2008-02-25T10:41:44.718-08:00</updated><title type='text'>Um pouco de galope à beira-mar</title><content type='html'>Uma modesta homenagem a Zé Limeira, o poeta do absurdo, grande figura da literatura de cordel. Tentei ser fiel às maluquices do mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava pescando na minha piscina&lt;br /&gt;Num dia qualquer de que já não me lembro&lt;br /&gt;Só sei que foi entre janeiro e dezembro&lt;br /&gt;Fisgou meu anzol uma lesma assassina&lt;br /&gt;É bicho medonho, pois nem carabina&lt;br /&gt;O mostro danado consegue matar&lt;br /&gt;Chamei Zé Limeira, que tava no bar&lt;br /&gt;Chegou bem tranquilo, peixeira na mão,&lt;br /&gt;Sem dó fatiou o terrível bichão&lt;br /&gt;E fez um churrasco na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas férias do ano de três mil e vinte&lt;br /&gt;Levei a família em viagem pra Lua&lt;br /&gt;Por falta de hotel, pernoitamos na rua&lt;br /&gt;Foi falsa a promessa de luxo e requinte&lt;br /&gt;Liguei no Procon, reclamando do acinte&lt;br /&gt;E o cabra me disse: "Não posso ajudar!&lt;br /&gt;Tá superlotado o Sistema Solar"&lt;br /&gt;Com tanto trabalho e dinheiro perdido&lt;br /&gt;Naquele momento ficou decidido:&lt;br /&gt;Turismo só faço na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tava no bar entornando a malvada&lt;br /&gt;Lugar bem tranquilo, junto ao cemitério&lt;br /&gt;No exato momento em que entrou Zé Silvério&lt;br /&gt;Que é primo da sogra da minha cunhada&lt;br /&gt;Contando que a Terra tá quase parada&lt;br /&gt;E assim desse jeito ela vai desabar&lt;br /&gt;Falei: "Meu compadre, não fique a chorar&lt;br /&gt;Porque esse problema já tem solução&lt;br /&gt;Botei lá embaixo um enorme colchão&lt;br /&gt;E enchi com metade da água do mar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua passei por alguém disfarçado&lt;br /&gt;Mas logo notei que era Pedro Primeiro&lt;br /&gt;Corri atrás dele, que foi mais ligeiro&lt;br /&gt;E entrou feito um raio num táxi parado&lt;br /&gt;Gritando: "Depressa! Tô sendo assaltado!"&lt;br /&gt;Após meia hora no mesmo lugar&lt;br /&gt;Compadre, acredite, quem vejo chegar?&lt;br /&gt;Distinta senhora, entre berros e prantos&lt;br /&gt;Faltou ao encontro, a Marquesa de Santos:&lt;br /&gt;Perdera o relógio na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jurei nunca mais viajar de navio&lt;br /&gt;Mas ontem à noite eu abri uma exceção&lt;br /&gt;Aqui em Taubaté acabou o lotação!&lt;br /&gt;Liguei pra Marinha, falei com meu tio:&lt;br /&gt;"Preciso chegar bem depressa no Rio"&lt;br /&gt;E o velho marujo aportou sem tardar&lt;br /&gt;Dizendo: "Cuidado! Já vai decolar!"&lt;br /&gt;Em cinco minutos, nem mais um segundo&lt;br /&gt;Eu vi o Redentor que protege este mundo&lt;br /&gt;De braços abertos, olhando pro mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando à Bahia, encontrei Conselheiro&lt;br /&gt;Não quer mais saber desse tal de Canudos&lt;br /&gt;Agora é cantor, vai entrar pros Menudos&lt;br /&gt;Tem samba no pé, desfilou no Salgueiro&lt;br /&gt;Mas é por prazer, não lhe importa o dinheiro&lt;br /&gt;"E a vida de artista, não vai te cansar?"&lt;br /&gt;Pergunto ao beato, só pra provocar&lt;br /&gt;"Daqui a cem anos lhe dou a resposta"&lt;br /&gt;E foi todo prosa encontrar com Gal Costa&lt;br /&gt;Pra mais um dueto na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá foi Zé Limeira fazer embolada&lt;br /&gt;Na Torre de Pisa pra ver se endireita&lt;br /&gt;No fim de dois dias tá quase perfeita!&lt;br /&gt;Mas só que a Itália ficou inclinada&lt;br /&gt;Como é que ele vai consertar a parada?&lt;br /&gt;Chamou o Super-Homem pra desentortar&lt;br /&gt;E a terra da pizza voltou pro lugar&lt;br /&gt;Feliz, todo o povo dançou tarantela&lt;br /&gt;Seu Zé, no avião, acenou da janela&lt;br /&gt;Na hora em que a Lua apontava no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contou Zé Limeira em seu livro de História:&lt;br /&gt;O doido do Nero era bem mulherengo&lt;br /&gt;Martinho Lutero adorava o Flamengo&lt;br /&gt;Cristóvão Colombo perdeu a memória&lt;br /&gt;(Cismou que a mulher tinha o nome de Glória)&lt;br /&gt;A Vênus de Milo queria dançar&lt;br /&gt;Mas sem os dois braços, só pôde cantar&lt;br /&gt;Um samba de breque louvando Cabral&lt;br /&gt;Que logo em seguida deixou Portugal&lt;br /&gt;Chegando ao Brasil pelas trilhas do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi numa excursão aos desertos da China&lt;br /&gt;Que pelo caminho encontrei Raul Seixas&lt;br /&gt;Feliz, sorridente, cercado de gueixas&lt;br /&gt;A mais nova delas, que linda menina!&lt;br /&gt;Fazia até padre largar a batina...&lt;br /&gt;Eu não resisti, resolvi perguntar&lt;br /&gt;O que ele fazia em tão ermo lugar&lt;br /&gt;Ao que respondeu em fluente chinês:&lt;br /&gt;Estava à procura de um cão pequinês&lt;br /&gt;Que fora roubado na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Guerra de Tróia, a suprema batalha&lt;br /&gt;É triste episódio, danoso e sangrento&lt;br /&gt;De lá, Zé Limeira, um humilde sargento&lt;br /&gt;Voltou exibindo no peito a medalha&lt;br /&gt;Que Ulisses lhe deu, se a memória não falha&lt;br /&gt;Tributo a seu gênio, que usou para dar&lt;br /&gt;O golpe fatal, de ousadia sem par&lt;br /&gt;Pois foi Zé Limeira o famoso inventor&lt;br /&gt;Do grande cavalo, acredite o senhor,&lt;br /&gt;Que ainda galopa na beira do mar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duvido que a vida se acabe na morte&lt;br /&gt;Depois do relato que ouvi de uma tia&lt;br /&gt;Honesta que é, de mentir não havia&lt;br /&gt;Jurou que uma noite o finado consorte&lt;br /&gt;Desceu de uma nuvem (chovia bem forte)&lt;br /&gt;Sem nada dizer ele a fez levitar&lt;br /&gt;E foram-se os dois ao espaço voar&lt;br /&gt;Após uma volta ao redor do planeta&lt;br /&gt;Deixou-a no solo e partiu de lambreta&lt;br /&gt;Molhado de chuva e de água do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dia cinzento morreu Zé Limeira&lt;br /&gt;(Que triste essa vida, nem ele era eterno!)&lt;br /&gt;E alguém por engano o mandou pro inferno&lt;br /&gt;A casa do Cão ficou tão galhofeira&lt;br /&gt;Que logo o seu dono perdeu a estribeira:&lt;br /&gt;"Os maus lá de cima aqui vêm pra penar&lt;br /&gt;Me chega esse doido pra tudo estragar!"&lt;br /&gt;No dia seguinte Seu Zé foi-se embora&lt;br /&gt;E o povo do céu aprendeu sem demora&lt;br /&gt;Como é que se canta na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ONU foi grande e estrondoso o sucesso&lt;br /&gt;O dia em que ali discursou Zé Limeira&lt;br /&gt;Pediu fosse a paz nossa meta primeira&lt;br /&gt;Sem ela de nada adianta o progresso&lt;br /&gt;Chamou George Bush de louco e possesso&lt;br /&gt;Sujeito perverso, que adora matar&lt;br /&gt;Imita Bin Laden, mas quer criticar&lt;br /&gt;No fim do discurso foi muito aplaudido&lt;br /&gt;E um busto de bronze lhe foi erigido&lt;br /&gt;Em nome da paz lá na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No escuro da noite, na mata fechada&lt;br /&gt;Ouvi bem de perto um terrível miado&lt;br /&gt;Seguido de um ronco raivoso, abafado,&lt;br /&gt;Por Deus Nosso Pai, ali estava a pintada!&lt;br /&gt;A vida pra mim não valia mais nada&lt;br /&gt;No bucho da onça eu iria acabar&lt;br /&gt;Mas fez-se o milagre, eu logrei me salvar&lt;br /&gt;Soltou-se do galho uma jaca madura&lt;br /&gt;Na testa da fera, que ao chão caiu dura&lt;br /&gt;Corri e só parei lá na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela final nos Estados Unidos&lt;br /&gt;Ninguém desconfia o que se sucedeu&lt;br /&gt;No pênalti fácil que a Itália perdeu&lt;br /&gt;Após cento e vinte minutos corridos&lt;br /&gt;Os nossos heróis vêm a campo abatidos&lt;br /&gt;Com medo da zebra que estava a rondar&lt;br /&gt;No chute de Baggio, a pelota no ar&lt;br /&gt;Recebe a pedrada mortal e certeira&lt;br /&gt;Que da arquibancada mandou Zé Limeira&lt;br /&gt;Subindo, aterrissa na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até japonês aprendeu Zé Limeira&lt;br /&gt;Pois foi samurai com peixeira de prata&lt;br /&gt;Vestindo quimono e calçando alpercata&lt;br /&gt;Vendia sushi de pacu lá na feira&lt;br /&gt;E junto servia um saquê de primeira&lt;br /&gt;E assim via a vida, tranquila passar&lt;br /&gt;Até que Hiroito o chamou pra ensinar&lt;br /&gt;Cordel, embolada, repente e o escambau&lt;br /&gt;E um dia, sem mais, se mandou, disse "tchau!"&lt;br /&gt;Pra ver sol nascente na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tem queijo quente, pois bem, também quero&lt;br /&gt;E bota um quentão, se não tem: querosene&lt;br /&gt;Quirera queimando no fogo..."va bene"!&lt;br /&gt;Cardápio romano do bom chef Nero&lt;br /&gt;Latindo em latim na latinha, "che vero"!&lt;br /&gt;Nordeste da Itália, que belo lugar...&lt;br /&gt;A sede na fome se vai saciar&lt;br /&gt;Com carne de sol bem molhada e "al pesto"&lt;br /&gt;Tão fina iguaria, não vá deixar resto&lt;br /&gt;Pra não dar vexame na beira do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cabra que sabe de tudo é sabão&lt;br /&gt;Trimestre é o sujeito que é três vezes mestre&lt;br /&gt;Quem limpa a sujeira da crosta terrestre?&lt;br /&gt;Já tem ferradura o cavalo do cão&lt;br /&gt;Saiu lá do mato, galopa no chão&lt;br /&gt;Estrela cadente não sabe voar&lt;br /&gt;Pois vive caindo, sem hora ou lugar&lt;br /&gt;A alma só vê o que o olho não sente&lt;br /&gt;Quem nasce poeta tem medo de gente&lt;br /&gt;Conhece a doçura nas águas do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bizarra aventura viveu Zé Limeira:&lt;br /&gt;Quando era marujo e servia a Cabral&lt;br /&gt;Logrou reencontrar sua terra natal (!)&lt;br /&gt;Assim que chegou viu uma índia faceira&lt;br /&gt;Com ela casou-se na missa primeira&lt;br /&gt;Em Porto Seguro passou a morar&lt;br /&gt;Caminha lhe deu sociedade num bar&lt;br /&gt;Partindo, deixou nosso herói no comando&lt;br /&gt;E assim esteve o Zé muito bem até quando&lt;br /&gt;Netuno o chamou para o fundo do mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-7174010347620681436?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/7174010347620681436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=7174010347620681436' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/7174010347620681436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/7174010347620681436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/02/um-pouco-de-galope-beira-mar.html' title='Um pouco de galope à beira-mar'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-4831956411360097774</id><published>2008-01-16T13:46:00.000-08:00</published><updated>2008-01-17T03:51:19.905-08:00</updated><title type='text'>XYZ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era sempre dia lá fora. Dentro, uma noite absurda que não ia embora nunca. Fazer o quê? Desespero era coisa fora de moda, desesperados são chatos, ele próprio queria se convencer disso. Mas sabia que não era exatamente assim. Desesperados, alguém lhe disse, são gente mórbida feito aquelas letras de &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt; melancólicas que quase sempre contam histórias de pais bêbados, mães enlouquecidas e sarjeta. E nessas horas lhe vinham à cabeça umas vozes roucas envoltas em melodias tristonhas, lamentando as infâncias sem esperança, chorando os poços sem fundo, as ressacas homéricas, as ressacas sem ao menos a lembrança prazerosa da embriaguez; vozes amargas destilando dor e desenhando imagens de garrafas vazias espalhadas pelo chão, miséria, amores desfeitos, amores natimortos, sarjeta, fim da linha. Enquanto em algum lugar da casa um disco arranhado repetia &lt;em&gt;I'd rather be blind&lt;/em&gt;, ele olhava o sol lá fora, pensando na ironia: aquela dor infinita dos negros americanos, transformada em música, enchera de dinheiro os bolsos de milhares de brancos espertos pelo mundo afora. Paciência. Afinal, quem sempre vence é a &lt;em&gt;realpolitik&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A noite não ia passar dentro dele. Lá fora, porém, o sol parecia preso em alguma fenda do espaço. Não se mexia, seria dia para sempre. Queria afastar aquilo. Começou então a escrever cartas. Algumas, a maioria, tristes, sisudas, umas poucas alegres como a loucura (sim, ele era dado a alegrias e musicalidades fora de hora. Gostava de surpreender seus amigos com um inesperado senso de humor). As cartas foram surgindo aos poucos: longos poemas sem metro nem rima, mas todas sinceras. Não pensou em enviá-las, bastava-lhe saber o que diziam e para quem se dirigiam. Começou então a imaginar que faria mais sentido se ele próprio as respondesse, já que não se dispunha a fazer com que chegassem às mãos dos destinatários. A tarefa seria demorada e penosa mas talvez valesse a pena. Pelo menos pouparia o trabalho de esperar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sr. X., por exemplo, lhe diria: "Meu jovem amigo, confesso que fiquei muitíssimo preocupado com tuas divagações. Parece que andas a desconfiar dos seres humanos. O que te fizeram? É urgente a tua volta para o mundo dos vivos, sinto que estás perto demais do inferno. Tuas cinzas, de que servirão para nós, os que te estimam?". E terminaria com uma demorada citação de algum obscuro filósofo romeno, sentenciando: "Creio que isso se aplica a ti. Urge que reflitas". Uma tal missiva seria mesmo típica do Sr. X. Sem nunca ter tido grandes idéias próprias, recorria a pequenos e enfadonhos pensamentos alheios. Logo em seguida, a resposta de Y., moça vanguardista que assistia &lt;em&gt;reality shows&lt;/em&gt; escondida: "Nossa, o que deu em você? Essa tua carta me fez rir muito, apesar do tom aparentemente sério. Que história é essa de &lt;em&gt;pornosofia sartre-bukowskiana&lt;/em&gt;? (...). Da próxima vez me manda um e-mail, tenho alergia a papel de carta. Não sei se te recomendo um divã ou um curso de dança de salão. Beijinho". Sem a menor sombra de dúvida, uma resposta surpreendente para quem já tentara o suicídio duas vezes. Y. era mesmo a própria modernidade. Mais adiante, viria Z., pragmático como sempre: "Vem para cá e vê se pára com essas maluquices. Daqui a pouco o verão acaba e você aí com essas masturbações epistolares. Deixa os políticos lá em Brasília, aquilo é um zoológico necessário, ainda que um tanto caro. Mas enfim, meu Maiakovski suburbano, fodam-se eles, a gente tem que ser feliz, porra. Já li todos esses teus poetas pessimistas e não ganhei nada com isso. E que papo é esse de que Ezra Pound era fascista? Não sei se seria menos poeta por causa disso. Você politiza demais, moleque. A propósito, meu diploma de Letras tá pendurado na parede do banheiro. Da próxima vez te mando uma foto dele". E, como de outras vezes, finalizaria com uma lista quase interminável de novos bares que conhecera nos meses anteriores. E a vida seguiria, divertida. Lá fora ainda era dia, afinal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-4831956411360097774?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/4831956411360097774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=4831956411360097774' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/4831956411360097774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/4831956411360097774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/01/xyz.html' title='XYZ'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-4749073208972599063</id><published>2008-01-12T06:30:00.000-08:00</published><updated>2008-01-12T15:27:22.013-08:00</updated><title type='text'>Ciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R4jb_irv4AI/AAAAAAAAADg/d258vkvYR20/s1600-h/ci%C3%AAncia.png"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R4jb_irv4AI/AAAAAAAAADg/d258vkvYR20/s320/ci%C3%AAncia.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154611658214072322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Crês que a tua ciência é a única que encerra a verdade. Admirável é o teu empenho. Com ela construíste para ti mesmo a ilusão de um passado confortável, aquele que mais te convém, no qual tua consciência se acomoda como uma cabeça em um travesseiro macio; tudo se explica e se encaixa magistralmente, ainda que certas passagens sugiram bizarras assimetrias. Também ela, a ciência primordial, é tua fonte inspiradora no presente, transformando-te num juiz amargo, que tudo sabe e a quem nada escapa. Quanto ao futuro, tua ciência não faz previsões confiáveis, e é isso o que mais te atormenta no momento. O templo do teu oráculo não passa de uma cabana tosca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo é tormento. Tua ciência - que alguns idiotas e energúmenos considerariam pura metafísica - tem um quê de libertadora: justifica tuas piores atitudes e teus piores sentimentos, assim como teus mais severos e cruéis julgamentos. O mal está sempre no mundo, esse mundo sujo e mesquinho que não comporta teu saber erudito; jamais vislumbras esse mal dentro de ti. Nisso, no entanto, nada tens de original, pois assim são os comuns, os que tanto te horrorizam, embora sejam teus pares - e eles são muitos. Tu consegues a proeza de enxergá-los à distância, quando mais perto não poderiam estar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profunda é tua arrogância, na igual medida em que te presumes sábio. Teu medo é que te desvendem raso, impregnado da exata patologia que insistes em apontar nos outros. Assim é que vives a negar a busca desesperada pelas aparências, a mesmice, o vazio da existência, o egoísmo, enfim, teus fantasmas eternos. Em suma, são esses os teus valores, os quais julgas cultuar em segredo, mas que teimam em saltar aos olhos dos menos observadores, daqueles insensíveis que não reparam em nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua ciência é pura arte de fingir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-4749073208972599063?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/4749073208972599063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=4749073208972599063' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/4749073208972599063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/4749073208972599063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2008/01/cincia.html' title='Ciência'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R4jb_irv4AI/AAAAAAAAADg/d258vkvYR20/s72-c/ci%C3%AAncia.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-4096339893733732147</id><published>2007-12-31T04:15:00.000-08:00</published><updated>2007-12-31T08:12:54.439-08:00</updated><title type='text'>Olhares</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Eu as vejo como filhas ilegítimas das coisas, sabe? Há um culto exagerado a elas. - ele diz, solene.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Talvez você tenha um pouco de razão quanto ao culto exagerado. Mas o que faria se não existissem? - ela retruca, simulando um olhar de espanto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- A inteligência humana cuidaria disso, como cuidou de coisas mais difíceis, você não acha? No meu sonho de ontem elas jaziam abandonadas à sombra de árvores mudas; em torno delas, o mato crescia implacável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Feito a paisagem triste do pensamento de um morto? - ela pergunta, rindo - Só você mesmo para enxergar palavras em sonhos, moço bobo. "Poesias sonâmbulas", taí um bom título para um livro seu, se algum dia se animasse a escrevê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Só se você fizer o prefácio... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Antes de você escrever não dá. Não tenho tanto talento - e ela ri cada vez mais solta. - Além do mais, não quero ser cúmplice de um escritor que despreza as palavras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu não desprezo as palavras, apenas não me deixo escravizar por elas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Dramático, você, hein? Relaxe. O seu livro poderia terminar assim: "E assim ficarão até o fim dos tempos, a menos que algo aconteça. Sua matéria é forjada na dúvida, no querer dizer e não ser nada". Coisa de gente dramática mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Onde você leu isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Inventei agora, olhando seu rosto de filme épico italiano, tipo "Hércules contra os dragões". Aliás, você não deveria escrever, deveria fazer cinema mudo. Sem legendas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Gostei da idéia. A atriz principal dos meus filmes seria você.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ei, eu me contento com o prefácio do seu livro. Você tá enchendo demais a minha bola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Se você fosse a personagem principal do meu roteiro, que atriz desejaria que fizesse o seu papel?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pediria para você ressuscitar a Ingrid Thulin, aquela do Bergman.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ingrid Bergman?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, é Thulin mesmo. Fez alguns filmes do Bergman, tinha um olhar absurdamente expressivo. Ideal para um filme sem palavras. Para contracenar com ela, o outro protagonista poderia ser um Peter O'Toole jovem. Olhos de labaredas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Gostei...Thulin-O'Toole. Soa bem. E seria um épico?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, seria romântico. Não dá para desperdiçar olhares tão belos com dragões ou exércitos romanos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Poderia se chamar "Vozes do Olhar".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Com esse calor, eu só penso em sorvete. E pare de me olhar assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-4096339893733732147?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/4096339893733732147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=4096339893733732147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/4096339893733732147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/4096339893733732147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/12/olhares.html' title='Olhares'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-8841461636663572235</id><published>2007-12-30T09:23:00.000-08:00</published><updated>2007-12-30T09:37:13.421-08:00</updated><title type='text'>Bar Niente</title><content type='html'>Não há tempo de pensar:&lt;br /&gt;Um poema ou uma encíclica?&lt;br /&gt;Sei lá, quero falar&lt;br /&gt;De educação, moral ou química.&lt;br /&gt;Das mazelas que só vejo&lt;br /&gt;Pelo Jornal Nacional.&lt;br /&gt;Haverá melhor ensejo&lt;br /&gt;Que o prazer da descoberta?&lt;br /&gt;Ah, um Colombo tropical&lt;br /&gt;Sempre em estado de alerta,&lt;br /&gt;Tipo assim um paladino,&lt;br /&gt;Que ao ouvir tocar um hino&lt;br /&gt;Peça um drink pro garçon.&lt;br /&gt;Com a verve emocionada&lt;br /&gt;E a garganta bem gelada,&lt;br /&gt;Faz discurso em alemão,&lt;br /&gt;Sem jamais sair do Tom.&lt;br /&gt;O Jobim, esse sim! Cabra bom.&lt;br /&gt;Bom de bossa e enxadrista.&lt;br /&gt;Fazia chover no tabuleiro&lt;br /&gt;Da baiana, que onde anda?&lt;br /&gt;Só perguntando a Caymmi,&lt;br /&gt;Que em sua esteira de vime,&lt;br /&gt;Declarou a independência:&lt;br /&gt;É doce morrer no mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-8841461636663572235?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/8841461636663572235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=8841461636663572235' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/8841461636663572235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/8841461636663572235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/12/bar-niente.html' title='Bar Niente'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-5206691369289484110</id><published>2007-12-28T10:36:00.000-08:00</published><updated>2007-12-29T13:01:49.152-08:00</updated><title type='text'>Mundos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R3aoUSrv3_I/AAAAAAAAADY/6DDdbSzsQeQ/s1600-h/mundos.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149488290510921714" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R3aoUSrv3_I/AAAAAAAAADY/6DDdbSzsQeQ/s320/mundos.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Caminham lado a lado, muito vagarosamente, o que contrasta com a velocidade quase insana com que ela emenda uma frase na outra; as palavras vão se acumulando no ar feito mosaicos sonoros e flutuantes, dos quais ele consegue reter somente alguns pequenos fragmentos. Responde, a intervalos, buscando participar daquela urgência ou, ao menos, compreendê-la. Queria estar ligado a ela não apenas pela intenção da palavra, mas pela concretude de gestos, olhares, afetos. Seus mundos parecem planetas distantes, conectados momentaneamente por algum capricho do acaso. E no entanto ele deseja intensamente eternizar esse instante, inventando, quem sabe, uma geometria secreta que atrelasse as duas esferas para sempre. Já deixou, há muito, de tentar entender a felicidade: quer vivê-la e isso é tudo. "Ilusão é alimento de poetas", ela diz, de repente, como se estivesse a ler os pensamentos dele.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-5206691369289484110?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/5206691369289484110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=5206691369289484110' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/5206691369289484110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/5206691369289484110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/12/mundos.html' title='Mundos'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R3aoUSrv3_I/AAAAAAAAADY/6DDdbSzsQeQ/s72-c/mundos.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-1461977958242814874</id><published>2007-12-22T04:31:00.000-08:00</published><updated>2007-12-22T12:34:01.376-08:00</updated><title type='text'>Busca</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R210fCrv3-I/AAAAAAAAADQ/7vfAer9tF7w/s1600-h/rene_magritte.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146898025799475170" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R210fCrv3-I/AAAAAAAAADQ/7vfAer9tF7w/s320/rene_magritte.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esquece o abismo que te cravava os dentes todas as noites; há um mar à tua frente e, em algum ponto desse mar, uma certa ilha. Teus sonhos a descobriram e é para lá que partirás dentro de poucas horas. O vento sopra a teu favor e os dias têm sido límpidos, como convém à tua empreitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de chegares ao teu destino, aportarás em muitos lugares - há mil ilhas nesse mar que contemplas - e em cada uma dessas escalas ouvirás dizer que ali é teu porto final, onde deves ficar e criar raízes. Tu, que viveste tão pouco, tenderás a crer na macia fluidez de tais palavras, que te serão dirigidas com alguma solenidade e, como é de se imaginar, com um certo desdém ante tua determinação juvenil. Assim são os velhos marinheiros. Cuida, porém, para que nada disso venha a deter teu leme.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há tesouros na ilha, como te poderiam fazer supor as repetidas lendas que sobre ela se contam nos sonhos. Em nada se assemelha ao paraíso; antes a uma ruína da natureza, com suas árvores sem folhas e seus montes enegrecidos e tristes. Os pássaros que ali vivem têm um cantar ora melancólico, ora estridente, durante o dia. Quando cai a noite, ganham o dom da fala humana e gritam impropérios aos visitantes até o amanhecer. Não se sabe de onde vieram e ninguém jamais os viu voar. Tampouco existe água potável lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu decerto quererás me perguntar por que razão alguém se deve lançar à procura de lugar tão hostil. &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resposta, meu caro, é simples: foi nessa ilha que abandonaste o que havia de melhor em ti, há muitos anos. Seguirás os vestígios e encontrarás os restos daquilo que foste jazendo na areia, quase calcinados pelo sol abrasador, e nesse momento tua busca terá terminado.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-1461977958242814874?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/1461977958242814874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=1461977958242814874' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/1461977958242814874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/1461977958242814874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/12/esquece-o-abismo-que-te-cravava-os.html' title='Busca'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R210fCrv3-I/AAAAAAAAADQ/7vfAer9tF7w/s72-c/rene_magritte.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-8828322301916151913</id><published>2007-12-01T13:22:00.000-08:00</published><updated>2007-12-02T05:04:18.001-08:00</updated><title type='text'>e-Bope, Veja e o escambau (ou Afogados no raso)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R1JFYGCySJI/AAAAAAAAAC4/xh6VZVsZ-s0/s1600-R/caveira2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139246405024630930" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R1JFYGCySJI/AAAAAAAAAC4/Dl9WEGoOI7w/s320/caveira2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Resisti um pouco a assistir ao "Tropa de Elite". Resisti mais ainda a falar sobre o filme depois de tê-lo visto no cinema, de onde saí perplexo e desiludido. Perplexo, por ter ficado em mim a sensação de que a história privilegia, sem disfarces, o aspecto de espetáculo visual. Forma como fim e não como meio. Tudo bem, cinema é arte visual mesmo - tenham paciência com este pobre blogueiro - mas em que medida precisamos rever o que já vimos tantas vezes, desse &lt;em&gt;Cirque Du Soleil&lt;/em&gt; da violência? Bom, talvez algumas pessoas achem necessário satisfazer certos caprichos bizarros da emoção, o que nos leva ao surrado mote da "questão de gosto". Desiludido, porque o conteúdo não se presta em nenhum momento ao aprofundamento da discussão em torno da violência, justamente por lhe dar tratamento estético &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;, sem fazer concessões para outras possibilidades da percepção. E não é por subestimar a capacidade de compreensão do público, não sejamos ingênuos. Optou pela violência-show o nosso Quentin Tarantino dos trópicos, quando poderia ter oferecido algo mais substancial. Exigências de mercado? Não gostaria de crer numa tal hipótese. Nesse viés, "Tropa de Elite" se iguala aos velhos &lt;em&gt;westerns&lt;/em&gt;: elege seus mocinhos e bandidos, coloca-os na arena e sugere candidamente ao público que faça suas apostas. Claro que os bandidos são bandidos, mas serão os mocinhos tão óbvios assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que alguém se insurja contra a má-vontade que porventura enxergue aqui, argumentando que nenhum cineasta tem obrigação de ser doublé de sociólogo, ou que a arte não tem de ser necessariamente engajada, ou, indo mais longe na tergiversação, que é livre a manifestação do pensamento etc, impõe-se a reflexão sobre a urgência do tema, escancaradamente apoiado na realidade. A polícia carioca existe, o BOPE é um órgão dessa polícia e as favelas do Rio de Janeiro não são apenas meras locações de filmagem, mas principalmente espaços sociais e geográficos representativos da exclusão, realidade portanto muito palpável e impossível de ser ignorada, mais ainda de ser encarada tão-somente como fonte inspiradora. Se era difícil aceitar isso em "Orfeu Negro", dirigido por um francês quase cinco décadas atrás, mais difícil será em 2007 e vindo de um diretor brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou inclinado a não encontrar virtudes em produtos que a Veja elogia. É hábito antigo, que, em nome da coerência, não consigo abandonar. Melhor ser pirracento que ser otário. Até o Capitão Nascimento me daria razão... Embora não me agrade pensar que posso cair nessa tentação fácil, sinto que a reportagem de capa veiculada pela revista em outubro, extremamente apologética, reforça minha impressão negativa sobre o filme. Um trecho emblemático ilustra bem esse "jeito Veja de ser": &lt;em&gt;"O assunto da obra do diretor José Padilha é a guerra diuturna que a polícia carioca move contra os traficantes de drogas encastelados nos morros favelizados da cidade. Mais especificamente o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a tropa de elite do título. O tráfico de drogas, o nervo mais exposto de um país em desordem e refém do medo (veja o quadro), é tema comum na cinematografia nacional recente. A diferença é que esse filme o aborda pondo os pingos nos is. Bandidos são bandidos, e não "vítimas da questão social". Há policiais corruptos, mas também muitos que são honestos. Se existem traficantes de cocaína e maconha, é porque há milhares de consumidores que os bancam. Muitos desses consumidores, aliás, são aqueles mesmos que fazem "passeatas pela paz" e compactuam com a bandidagem para abrir ONGs em favelas. Por último, a brutalidade de alguns policiais pode ser explicada pelo grau de penúria e abandono que o estado lhes reserva".&lt;/em&gt; Nossa, quanta coisa a Veja viu em tão pouco! E que olhar seletivo! A continuar assim, enxergando horrores nas entrelinhas, deverá mudar o nome para Raio-X (a cuja exposição excessiva sobrevém um câncer, diga-se). Em que pese a retórica impactante do repórter-cronista, Veja mais uma vez revelou sinais de sua miopia crônica. Aquilo que Veja não viu em "Tropa de Elite" ocuparia um espaço de reportagem bem maior, o que acabaria deixando alguns anunciantes muito irritados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, enfim, se podemos extrair algo de relevante do texto de Veja é que o diretor José Padilha fez uma opção consciente ao fechar o foco da abordagem sobre violência e crime organizado, tanto literal como figuradamente. Dar visibilidade a tais problemas já não basta. Sem olhar crítico, o que "pega geral" é a repetição &lt;em&gt;ad nauseam&lt;/em&gt; das tragédias fora da tela. Cinema de resultados, feito aquele sindicalismo cínico &lt;em&gt;à la&lt;/em&gt; Luiz Antônio Medeiros, que andou na moda nos anos 80. Osso duro de roer. E de engolir. Argh!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tropa de Elite" não é ruim, mas, paradoxalmente, não se alinha entre os exemplares do bom cinema, aquele que cutuca e gera discussões apaixonadas. Entretenimento, espetáculo, show-de-bola técnico, câmera esperta, de tudo isso a gente gosta, mas mexer em casa de marimbondo requer um algo mais. Ficou devendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-8828322301916151913?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/8828322301916151913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=8828322301916151913' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/8828322301916151913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/8828322301916151913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/12/afogados-no-raso.html' title='e-Bope, Veja e o escambau (ou Afogados no raso)'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R1JFYGCySJI/AAAAAAAAAC4/Dl9WEGoOI7w/s72-c/caveira2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-7592422270964608450</id><published>2007-11-26T13:04:00.000-08:00</published><updated>2007-12-02T04:23:16.168-08:00</updated><title type='text'>Silêncio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R0tAVVXkY6I/AAAAAAAAACc/z9hw8qzlRPM/s1600-h/silence.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5137270535203611554" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R0tAVVXkY6I/AAAAAAAAACc/z9hw8qzlRPM/s320/silence.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Que o meu silêncio ecoe em todos os lugares onde jamais estive;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que vibre nas areias dos desertos, no fundo dos grandes lagos, nos campanários das igrejas, nas margens lamacentas dos rios;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que flutue mansamente nas infinitas linhas de intermináveis horizontes, que se perca em espaços jamais suspeitados pelo olhar, sequer pela mente; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que o meu silêncio seja a corda tensa do violino, para sempre à espreita do arco libertador que, no entanto, jamais virá;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que ele, o silêncio, se faça ouvir por uma alma acorrentada, noite após noite, até sobrevir a loucura, filha bastarda desse mesmo silêncio que em vão tento expulsar de mim;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte conjuga o silêncio, que conjuga o verso sem verbos de algum poema macabro feito só de imagens e ventos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu digo o silêncio enquanto um barco sem sobreviventes adentra o porto, voltando de uma longa jornada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu trago o silêncio e sinto sua acidez corrosiva e vagamente - apenas vagamente - doce a me queimar as entranhas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em silêncio sejam todas as despedidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-7592422270964608450?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/7592422270964608450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=7592422270964608450' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/7592422270964608450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/7592422270964608450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/11/que-o-meu-silncio-ecoe-em-todos-os.html' title='Silêncio'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R0tAVVXkY6I/AAAAAAAAACc/z9hw8qzlRPM/s72-c/silence.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-6340957883655478887</id><published>2007-11-24T10:09:00.000-08:00</published><updated>2007-12-02T04:19:42.155-08:00</updated><title type='text'>Menos infinito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R0iANlXkY5I/AAAAAAAAACU/PhCgiOOUq9Y/s1600-h/metamorphosis.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5136496345873671058" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R0iANlXkY5I/AAAAAAAAACU/PhCgiOOUq9Y/s320/metamorphosis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Havia algum tempo que ele via e sentia tudo com o pasmo de uma primeira vez. Sensação estranha essa, que a cada dia se estendia às coisas mais banais. Pássaros, flores, sons, edifícios, ruas, tudo se afigurava inédito. Não associava isso, no entanto, àquele prazer da descoberta, tão típico das crianças. Ah! Disso ele ainda se lembrava: fora criança um dia e experimentara mil vezes o prazer do novo, seus sentidos todos à flor da pele, sempre à espera de algo, como antenas vivas, insaciáveis. Agora era um desconforto, invadia-o certo sentimento de não pertencer ao mundo em volta. Olhava-se no espelho e não conseguia achar a mais vaga familiaridade nos traços de seu rosto. E aquela voz? Era a sua, sempre fora, decerto. Mas decididamente não soava como se fosse. Esse &lt;em&gt;recomeço&lt;/em&gt; doloroso o atiraria na mais cruel das solidões. Era jovem ainda, mas já se via como um inválido, a quem todos, dali por diante, teriam de auxiliar nas tarefas mais simples. Soletraria o mundo novamente, como um bebê tardio. Talvez os loucos fossem exatamente isso: bebês tardios, submetidos ao choque diário com a concretude das coisas, incapazes de enrijecer suas couraças. Por quanto tempo poderia viver assim? Sua família não o rejeitaria por isso, sabia-se amado. Mas, e o resto? Amigos o evitariam sutilmente. Pensava neles, evocando seus nomes. Não, não precisaria daqueles amigos cujos nomes já não lhe diziam nada. Na verdade, nem sua família faria lá muita falta. Sabia que tinha mulher e filhos, os sinais estavam evidentes, embora não se lembrasse de nada que os ligasse a ele. Solidão, o que é mesmo? Seus laços afetivos iam-se afrouxando aos poucos; afinal o amor, o que seria senão esse amálgama de pequenas lembranças, gestos presentes, olhares, dizeres? Ao mesmo tempo um aprendizado e uma simbologia para iniciados, isso deveria ser o amor. Algo reservado às pessoas que pertenciam ao mundo do qual ele aos poucos ia sendo desconectado. O desconforto inicial arrefecia, mas dava lugar ao horror de perceber a própria desumanização. Em breve não reconheceria mais nada. Tudo pareceria irremediavelmente destituído de sentido. Não conseguiria sequer se matar. Só mesmo Kafka poderia escrever o fim de sua história. Mas quem era mesmo Kafka?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-6340957883655478887?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/6340957883655478887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=6340957883655478887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/6340957883655478887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/6340957883655478887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/11/menos-infinito.html' title='Menos infinito'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R0iANlXkY5I/AAAAAAAAACU/PhCgiOOUq9Y/s72-c/metamorphosis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-844065924892894618</id><published>2007-11-12T15:20:00.000-08:00</published><updated>2007-12-02T04:24:17.118-08:00</updated><title type='text'>Noite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RzkFYVb5azI/AAAAAAAAACM/7NN3tIjn5lU/s1600-h/noite2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132139165994543922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RzkFYVb5azI/AAAAAAAAACM/7NN3tIjn5lU/s320/noite2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ouve música ao longe e alguns risos. Alguém canta. Por um breve momento lhe vem a tentação de ir ao encontro dessa gente sem culpa que faz soar instrumentos no meio da noite, indiferente aos ditames da melancolia. De que material será feita sua ousadia? Logo reprime a sensação, por absurda. Afinal, está contaminado por um silêncio de séculos e uma dor infinita, atributos indesejáveis. Fardos pesados assim não combinam com música. Nada de poesia para oferecer, nada de sonhos para partilhar, no fundo é apenas a vontade de se aproximar sem ser notado pela confraria alegremente barulhenta que enche a escuridão de sons. Em outros tempos ele os reconheceria, falaria sua língua, mas hoje... Essa timidez forjada na desconfiança tem povoado seus dias; esse açoite sem tréguas chamado realidade é a negação da vida sem, no entanto, ser morte. Corta-lhe a carne, mas o mantém acordado e atento, espectador do bizarro, do inominável, enfim, da própria dor. Buscar a irrealidade onde quer que ela se esconda, eis o caminho. A música que agora se espalha na penumbra do quarto talvez não seja real: há de ser (quem sabe?) apenas uma urgência da alma. "Tantos livros lidos e nenhuma resposta para nada", pensa, sorrindo. Urge traçar planos de fuga antes que a última estrela se dissolva na indiferença do sol.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-844065924892894618?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/844065924892894618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=844065924892894618' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/844065924892894618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/844065924892894618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/11/noite.html' title='Noite'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RzkFYVb5azI/AAAAAAAAACM/7NN3tIjn5lU/s72-c/noite2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-5765666352514129671</id><published>2007-11-10T12:29:00.000-08:00</published><updated>2007-11-12T16:44:44.101-08:00</updated><title type='text'>O outro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RzYtOlb5avI/AAAAAAAAABs/InKK53A5WAU/s1600-h/outro.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RzYtOlb5avI/AAAAAAAAABs/InKK53A5WAU/s320/outro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131338554025798386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na tentativa de compreender o outro, ele se esquece de si próprio. Abandona-se. Vem um sono profundo, que dura muitos anos. Ao acordar, vê-se transformado no outro. Já não reconhece o timbre da própria voz, é o outro quem fala por ele. Lembra-se vagamente de ter tido uma vida turbulenta e de ter lutado em muitas batalhas. Certamente a última lhe trouxe a morte, isso explica tudo. Reencarnou, decerto, numa criatura desconhecida, sendo ainda ele mesmo de alguma forma. Ri de coisas sem graça, tem pudores inexplicáveis e é assaltado por emoções descabidas, tendo plena consciência disso. Professa outros valores, adora outros deuses. Talvez isso seja o Inferno. A eterna dor. A suprema perda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Está agora numa sala em que há um espelho e uma janela, os quais evita a todo custo. Não quer ver o mundo lá fora, tampouco sua nova imagem. Nada sabe sobre sua nova condição, mas acabará descobrindo alguma coisa pelos diálogos que forçosamente terá com as pessoas que acabam de entrar. Estranhamente, parece conhecê-las. Chama-as por seus nomes, convida-as a se sentarem, bebe com elas. Riem de tudo o que fala: serão falsas ou idiotas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Passam-se mais alguns anos. Envelhece, ou melhor, o outro envelhece e morre. Acorda e corre ao espelho, ri, chora, abre a janela e grita. Está vivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-5765666352514129671?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/5765666352514129671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=5765666352514129671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/5765666352514129671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/5765666352514129671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/11/o-outro.html' title='O outro'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RzYtOlb5avI/AAAAAAAAABs/InKK53A5WAU/s72-c/outro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-1641965589083573668</id><published>2007-11-06T05:11:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T07:41:02.752-08:00</updated><title type='text'>Todo mundo é filósofo, ueba!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RzCEVDXMU2I/AAAAAAAAABk/tBSXV6CBUjg/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RzCEVDXMU2I/AAAAAAAAABk/tBSXV6CBUjg/s320/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129745472789697378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O básico não tá resolvido e a gente querendo resolver o transcendental. O arroz e o feijão não frequentam a mesa desde o Gênesis e o sujeito tentando descobrir o sentido da vida. Vai morrer sem saber. De fome. Às vezes sou tentado a me insurgir contra uma certa inutilidade da Filosofia, embora saiba que não é ela quem manipula os fios. Ela, a Filosofia, é instrumento que dá certo em mãos certas e errado em mãos erradas. Agora, uma ressalva: o básico não é só o feijão com arroz. "A gente não quer só comida", já disseram, né? Quer carinho, respeito, quer o olhar desarmado do outro - ou ao menos sua compreensão - e uma porrada de outras coisas que nos são sonegadas diariamente. Mas não há tempo para dar de coitadinho. A bunda tá sempre na janela, ainda que pareça protegida. Mas nada de estratégias fáceis, como atacar seus irmãos, amigos, amores e assim se sentir "vingado". O mundo tá te devendo, amiguinho, eu sei. Nem por isso te dá o direito de oprimir quem tá do teu lado. Passa a mão na bunda do guarda de trânsito, que tal? Ele também representa o poder que te sacaneia. Vai pra frente do Palácio do Planalto e estende uma faixa xingando a mãe do Lula. Esfaqueia a Mona Lisa (isso já fizeram, não seria original). Nem é tão difícil assim assumir essa postura "rebelde" (risos). Difícil mesmo é se olhar como parte do próprio problema, como se fosse doer menos ficar de fora do diagnóstico. Também não adianta diagnosticar certo e adotar posturas erradas, filosofias da moda (todo mundo quer ser budista, que gracinha, né? Viver na Índia ninguém quer) e auto-ajudas. Meia dúzia de frases feitas e alguns "ismos" depois e você percebe o logro impingido pelos filósofos de boutique, os paulocoelhismos disfarçados que te passaram como coisas elegantes, último tipo. Filosofia mesmo, com letra maiúscula, é um buraco mais profundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-1641965589083573668?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/1641965589083573668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=1641965589083573668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/1641965589083573668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/1641965589083573668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/11/o-bsico-no-t-resolvido-e-gente-querendo.html' title='Todo mundo é filósofo, ueba!'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RzCEVDXMU2I/AAAAAAAAABk/tBSXV6CBUjg/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-3794393972030591415</id><published>2007-10-17T05:43:00.000-07:00</published><updated>2007-12-02T04:20:11.951-08:00</updated><title type='text'>Palavras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RxYFImEQKAI/AAAAAAAAABc/A9in4vRm_e8/s1600-h/palavras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122287271395993602" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RxYFImEQKAI/AAAAAAAAABc/A9in4vRm_e8/s320/palavras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Brotam palavras cheias de encanto. Por um momento, pensei em trazê-las para cá. Mas não são minhas, são criações de ventos e pássaros. Melhor deixar que vivam nos campos, como flores. Não as colherei, apenas me limitarei a pronunciá-las secretamente, como uma homenagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-3794393972030591415?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/3794393972030591415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=3794393972030591415' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/3794393972030591415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/3794393972030591415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/10/palavras.html' title='Palavras'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RxYFImEQKAI/AAAAAAAAABc/A9in4vRm_e8/s72-c/palavras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-6253073681086352988</id><published>2007-10-10T11:18:00.000-07:00</published><updated>2007-10-17T05:33:24.721-07:00</updated><title type='text'>Vazio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RxYBA2EQJ_I/AAAAAAAAABU/7a2cwZL8QVY/s1600-h/vazio.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RxYBA2EQJ_I/AAAAAAAAABU/7a2cwZL8QVY/s320/vazio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122282740205496306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando nada mais fizer sentido, virá o vazio. Envelhecerei docemente, como uma espécie de monge, sem apegos ou paixões. Não sentirei mais angústias e tudo me parecerá harmoniosamente disposto no mundo. Falarei uma língua de poetas e sonharei todas as noites. E aí sim, tudo fará sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-6253073681086352988?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/6253073681086352988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=6253073681086352988' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/6253073681086352988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/6253073681086352988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/10/vazio.html' title='Vazio'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/RxYBA2EQJ_I/AAAAAAAAABU/7a2cwZL8QVY/s72-c/vazio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-2279157624387843521</id><published>2007-09-26T19:21:00.000-07:00</published><updated>2007-11-28T11:33:05.208-08:00</updated><title type='text'>Cárcere</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R03CaFXkY7I/AAAAAAAAACk/YoPjdFon5fo/s1600-h/lamemoire.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R03CaFXkY7I/AAAAAAAAACk/YoPjdFon5fo/s320/lamemoire.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5137976503273022386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lembrar da infância poderia ser algo menos complicado. Fazer o inventário das palavras ditas a esmo, das brincadeiras, dos sonhos bobos, dos "nunca mais", dos "para sempre", tudo tão deliciosamente irrealizado... bem que poderia ser uma diversão. Ou um não-sofrimento, ao menos. Nada disso me ocorre, no entanto. O que chega são sensações difusas, recordações de gostos e odores, lugares estranhos, rostos sem nome. Memória-bazar. Brechó nonsense. Pequena loja dos horrores, eis o que tenho no sótão. Ah, que inveja dos que sabem invocar as coisas concretas e aconchegantes da infância! Para essas  pessoas o passado tem o formato de uma caixinha cheia de fotografias, cada uma delas com alegres anotações no verso, sejam dedicatórias ou datas significativas para ornar um orgulhoso sobrenome... que bela é a linearidade e obediência do tempo que flui na vida dessa gente! Tudo é luminoso, há fartura de (bons) detalhes. Meus arquivos são tormentosos e caóticos, sugerindo gestos inacabados, pensamentos mutilados, sonhos híbridos, sons inarticulados: o meu baú de lembranças sequer tem forma ou tampa. E está sempre à espreita. Jamais o  procuro, é ele quem me aparece de repente, às vezes no meio da noite, assumindo a forma de um demônio sorridente e convidativo que atira pedrinhas, cada qual mais bizarra. Minha memória é meu cárcere.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-2279157624387843521?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/2279157624387843521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=2279157624387843521' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/2279157624387843521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/2279157624387843521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/09/crcere.html' title='Cárcere'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/R03CaFXkY7I/AAAAAAAAACk/YoPjdFon5fo/s72-c/lamemoire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-6716979468868660308</id><published>2007-07-22T17:40:00.000-07:00</published><updated>2007-09-26T21:55:10.815-07:00</updated><title type='text'>Igreja Deus É Qualquer Coisa</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvs3pM_uDnI/AAAAAAAAABM/HUPS0LrOSJM/s1600-h/bomba.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvs3pM_uDnI/AAAAAAAAABM/HUPS0LrOSJM/s320/bomba.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114742982811979378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Recebi um folheto de propaganda - isso mesmo, em Português é folder - falando da Igreja Deus é Qualquer Coisa. Achei interessante e repasso aqui pra vocês. Mas não me responsabilizo pela adesão, viram? É uma postagem meramente informativa. Segue o texto:"E virá o dia em que o Senhor dos Exércitos descerá de uma nave para punir os que prevaricaram. O céu se tornará púrpura para os pecadores, mas se apresentará limpidamente azul para os justos. Milhões de trombetas amplificadas soarão nesse momento, anunciando o fim da impureza e do materialismo. Uma fumaça vermelha envolverá toda a terra, a lembrar o sangue dos inocentes que pereceram na luta contra o mal. Nada do que dissestes ou do que fizestes terá passado despercebido. E sabereis que a hora do julgamento é chegada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igreja Universal Deus é Qualquer Coisa - Estrada do Maraú, 1250 - Vila Itaparica - São Paulo - Capital - telefax (0xx11) - 5555-9999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei lá, tipo assim, parece um showzaço de rock. Não quero perder isso por nada nesse mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-6716979468868660308?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/6716979468868660308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=6716979468868660308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/6716979468868660308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/6716979468868660308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/07/igreja-deus-qualquer-coisa.html' title='Igreja Deus É Qualquer Coisa'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvs3pM_uDnI/AAAAAAAAABM/HUPS0LrOSJM/s72-c/bomba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-2851764752156015999</id><published>2007-07-19T19:45:00.000-07:00</published><updated>2007-09-26T21:35:04.752-07:00</updated><title type='text'>Silêncios satisfeitos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvsy8s_uDjI/AAAAAAAAAAs/-1CImDlCqqE/s1600-h/paz.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvsy8s_uDjI/AAAAAAAAAAs/-1CImDlCqqE/s320/paz.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114737820261289522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Somos dois silêncios satisfeitos, eu e ela. Não que não haja nada para dizer, é bem o contrário. Mas há nessa cumplicidade muda uma espécie de repouso de guerras passadas, nós ali quietos, encarando o teto, desarmados, prisioneiros de uma prisão infinita. Nada é combinado, mas dá tão certo que assusta. Poderíamos fazer mágicas para nos distrair mutuamente, até que seria divertido. Fecho os olhos e penso em coisas intraduzíveis. Passam-se dias, câmera acelerada, claro-escuro pulsando, o quarto varia de tom e de decoração. Tudo muda numa velocidade estonteante. Mas ela está ali, sorrindo de olhos fechados, feito um anjo bem-humorado. Isso me conforta, mas ainda não é o suficiente: quero ser um &lt;i&gt;algo&lt;/i&gt;, mas ainda sou um &lt;i&gt;quem&lt;/i&gt;. Essa imperfeição é a única coisa que me incomoda no momento. Meu sonho é dormir feito uma pedra e acordar pedra. Amanhece. Eu e ela apenas sentindo a correnteza do rio passar sobre nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-2851764752156015999?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/2851764752156015999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=2851764752156015999' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/2851764752156015999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/2851764752156015999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/07/silncios-satisfeitos.html' title='Silêncios satisfeitos'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvsy8s_uDjI/AAAAAAAAAAs/-1CImDlCqqE/s72-c/paz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-6772527681781845416</id><published>2007-07-18T19:44:00.000-07:00</published><updated>2007-09-26T21:42:19.607-07:00</updated><title type='text'>Preguiça</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvs0pM_uDkI/AAAAAAAAAA0/adHDu2hTuG0/s1600-h/pregui%C3%A7a.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvs0pM_uDkI/AAAAAAAAAA0/adHDu2hTuG0/s320/pregui%C3%A7a.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114739684277096002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A preguiça é um bicho sonolento que encontro quase todas as manhãs - já foram mais frequentes - no espelho do banheiro. Sequer me diz bom dia, a danada. E olha que nos conhecemos muitíssimo bem. Mas não sou mal-agradecido: gosto dela, apesar do ar &lt;em&gt;blasé &lt;/em&gt;e de certos hábitos extravagantes, como passar sábados inteiros de pijama e meias. As gêmeas Preguiça e Inércia, deusas pagãs, reinaram absolutas na Colina de Menor Esforço, a mais alta da Península do Ócio, por boa parte da Antiguidade. Depois, extenuadas por milênios de monotonia, se recolheram num spa de endereço ignorado, onde passaram a Idade Média assistindo programas de variedades e jogando paciência. Inventaram o controle remoto antes mesmo de existir TV. Nas portas de seus quartos, uma frase dizia tudo: "I want to be alone". Inércia foi reabilitada por &lt;em&gt;Sir&lt;/em&gt; Isaac Newton alguns séculos depois, tornando-se uma celebridade da Física. Para quem é mãe de todos os vícios, Dona Preguiça ainda exibe uma saúde invejável. O mesmo não se pode dizer dos filhos, caídos pelas sarjetas, mortos de fome e frio, humilhados, perseguidos, injustiçados. Erasmo de Rotterdan não viveu o suficiente para escrever o "Elogio da Preguiça". Ou então os originais se perderam, o que é mais provável. Se o pecado original tivesse sido a preguiça, ainda estaríamos no Éden: Adão e Eva não teriam comido a maçã oferecida pela serpente, com tanta manga caindo aqui e ali, sem precisar ao menos sair da rede pra pegá-las. E Caim não teria assassinado Abel, o queridinho da mamãe. Pura falta de saco, já que invejar dá um trabalho sinistro. Os animais não teriam nomes, seriam apenas criaturas tranquilas, preocupadas tão-somente em procurar uma boa sombra pra descansar. Pensando bem, não fazer nada por toda uma eternidade cansaria um pouco. Mas cá pra nós, dá uma preguiça danada de pensar numa solução para esse impasse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-6772527681781845416?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/6772527681781845416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=6772527681781845416' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/6772527681781845416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/6772527681781845416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/07/preguia.html' title='Preguiça'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvs0pM_uDkI/AAAAAAAAAA0/adHDu2hTuG0/s72-c/pregui%C3%A7a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8228518412325089824.post-166143923824473405</id><published>2007-07-17T09:46:00.000-07:00</published><updated>2007-09-26T21:48:32.292-07:00</updated><title type='text'>Desembucha, cabra!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvs2Fc_uDmI/AAAAAAAAABE/OTSyaHHXu4w/s1600-h/Fala!.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvs2Fc_uDmI/AAAAAAAAABE/OTSyaHHXu4w/s320/Fala!.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114741269120028258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nada ainda? É preciso escrever, então. Preguiça não dá bons textos. No máximo ela dá bons textos não-escritos, o que é lamentável. Não-textos. Não. Avancemos, pois, tentando justificar o título do blog, pra começar. "Poéticas" é bonito, lembra Aristóteles, que queria dar palpite sobre tudo, nas suas "Éticas", "Estéticas", "Políticas", "Poéticas" e sabe lá mais quantas "éticas" e "íticas". Mas o blog é bem modesto, apenas faz referências, tangencia, espia. Mas não copia, nem escaneia, muito menos sacaneia. A não ser o que mereça ser sacaneado, copiado ou escaneado. Não há o que justificar, poéticas são todas as coisas. Desde o olhar sem vida do pinguim sobre a geladeira ao surgimento de uma supernova na galáxia de Omega-Ni. Vai saindo assim meio parto a fórceps, dia chuvoso, agonia de lan-house cheia, gente olhando, adolescentes com os olhos pregados no herói virtual do game, que dá porrada em todo mundo e sai ileso. Puro. Sem mácula, exceto a do sangue que lhe molha as vestes. Gritaria na rua. Trabalho esperando pra daqui a cinco minutos. Poéticas. Todas. Prosaicas não menos. Enfim, um quase-texto. Um subtexto. Mas eu volto. Isso é uma ameaça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8228518412325089824-166143923824473405?l=paulomartinsmag.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/feeds/166143923824473405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8228518412325089824&amp;postID=166143923824473405' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/166143923824473405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8228518412325089824/posts/default/166143923824473405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulomartinsmag.blogspot.com/2007/07/nada-ainda-preciso-escrever-ento.html' title='Desembucha, cabra!'/><author><name>Paulo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02152388968389126096</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_yMo4h-XrK_g/Rvs2Fc_uDmI/AAAAAAAAABE/OTSyaHHXu4w/s72-c/Fala!.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
